Não a revisão da Lei Menino Bernardo

Não a revisão da Lei Menino Bernardo
Sim a sua efetivação
Sim a educação não violenta

Crianças não pertencem a família como se objetos fossem. Pertencem na lógica do pertencimento psíco-afetivo, vincular.
O projeto de revisão/revogação da Lei Menino Bernardo vai ao encontro da lógica de que a mulher precisa ser menos que o homem, o chefe da família. Uma forma de pensamento que apequena mulheres e homens, que fere o laço familiar enquanto espaço de convívio amoroso.
Estampa uma leitura triste e pobre de um livro sagrado para boa parte da humanidade: a Biblia. Outras leituras do mesmo livro, e com profunda fé, acham exatamente contrário: que a família não é o conjunto de coisas do senhor, do homem chefe da casa. Mas sim de que é um grupo humano, base da sociedade, pelo vínculo da vida e das relações mais bonitas e íntimas que ai se constróem no afeto-cuidado.
Mais que combater o projeto que indigna e avilta nossa esperança e corrompe a relação familiar com a normalização da violência, precisamos conclamar corações e mentes para o cuidado amoroso. Para o cuidado pelo exemplo.
Bom filhos e boas filhas não são as pessoas que temem seus pais e mães. São as pessoas seguras de si que ajudamos a apoiar, que sabem respeitar pai e mãe, as pessoas mais velhas, as pessoas de sua idade e as pessoas mais novas. Sabem respeitar gente.
Não criamos nossa descência para nós. Criamos para o mundo e para que nos superem. Para que sejam felizes.
Defender o direito de bater não cabe nesta equação afeto-cuidado-amor.
Não serve para honrar qualquer que seja a nossa reverência ao sagrado e ao dom da vida.
Vidas machucadas são vidas tristes, muitas vezes marcadas pela insegurança pelo resto dos dias.
Não é fácil educar sem violência. Como pode não ser fácil conviver sem ela, mas sua naturalização é uma declaração de fraqueza extrema.
Antes de pedir para se ter o direito a bater, deveríamos sim é pedir ajuda:
– Me ajude a não ser uma pessoa violenta.
– Me ajude a criar meus filhos e filhas de forma digna, mas com amor.
Limite é cuidado. Mas limite não precisa ser sinônimo de violência contra crianças e adolescentes.
Criemos e cuidemos com amor, pelo afeto e pelo exemplo.

José Carlos Sturza de Moraes
Cientista Social – Mestre em EducaçãoScreenshot_20190905-134539

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